Ana Márcia

Vaique…

ANA MÁRCIA SOARES CORDEIRO é a dona deste blog que perdeu sua habilitação na última sexta-feira, dia 11 de maio nas proximidades do centro de Niterói, Avenida Amaral Peixoto.

Se você encontrou, deixe seu recado nos comentários que entrarei em contato.

(Não custa tentar, né?)

Ana Márcia

Nem papel, nem aliança, nem o tempo

Quando estava grávida de meu primogênito, um aluno (ao notar a protuberância abdominal despontando) ficou na dúvida se era gravidez mesmo ou apenas efeito colateral de alcoolismo. Depois de muito me observar, desferiu sua pergunta.

Primeiro eu disse que era chopp da Brahma, claro. Depois confirmei a gravidez (não sem antes desmentir o chopp). E ele retrucou de forma bem natural: “e quem é o pai, fessôra?”.

Hein? Oi? Cuméquié?

Fiquei meio constrangida e chocada ao mesmo tempo. Depois respondi (com bem menos naturalidade), dizendo: “É o meu marido, né, filhão?”. ( “Filhão” é meu jeitinho carinhoso de chamar os alunos de filho da… bom… de filhos)

Não compartilho detalhes pessoais com qualquer turma (e com aquela certamente só falava o estritamente necessário). Até por isso, a confusão do gremlin, digo, aluno (e antes dele, vários outros) era até compreensível.

Estado civil sempre foi um assunto confuso por aqui. Chamo de “pseudomarido” (aqui mesmo e também aqui), de “marido”, “bofe” ou de “respectivo” aquele um com quem divido a casa, a cama, a vida, mas que nunca me levou ao altar e nunca me deu uma aliança (nem daquelas de pirulito).

E sem aliança, até que eu abra a boca e diga o contrário, assume-se que sou solteira (e de fato, em termos legais, até sou).

Aff, que bagunça. Mas afinal, nesse tópico “estado civil”, importa o quê?

O papel? A aliança? A festa? A bênção divina?

Na dúvida, digo timidamente que sou casada, sim.

Papel que comprove, eu não tenho. Nem aliança. Festa e vestido branco de princesa nunca tive (e nunca me fez falta).

Mas se o que contar for a bênção divina, certamente nós a recebemos. Duas, aliás: uma de quatro anos, outra de cinco meses.

Uso desses apelidos carinhosos porque nunca sei que efeito a falta da aliança na mão casada pode provocar. E (no caso do blog) também porque o “dito cujo” vive me pedindo pra não ficar expondo-o na internet.

Pai dos meus filhos, meu companheiro de intimidade, o cabra que ronca ao meu lado toda noite, aquele que atura minha TPM e é macho o suficiente pra sair vivo dela, mês após mês, ano após ano…

Este sobrevivente de minha fúria hormonal, com nome de deus grego, simplesmente acumula as insubstituíveis funções de HOMEM DA MINHA VIDA e MELHOR AMIGO DO MUNDO TODO.

(Calma, Amor… Se você estiver lendo e achou brochante esse negócio de “melhor amigo”, faz o seguinte: foca lá no “HOMEM da minha vida”. Ou, se você preferir, eu poderia esclarecer tudo aqui dizendo também que você é aquele que me maltraaaata na cama, mas você ficaria envergonhado… então não digo. hein? ops… xô ficar quieta).

Enfim…

Que sorte danada encontrar esse “combo” – aliás, uma vidente nos disse uma vez que nosso encontro estava marcado há muito tempo.

Alma gêmea ou não. Casada ou não. Que diferença faz?

Nem o tempo importa quando é pra sempre.

 

(Vem comigo, “deus do amor”! Bóra ficar velhinho e enrugado junto!)

:-*

Ana Márcia

De repente, treze…

Acordei com vontade não sei bem de quê. Com medo e disposição. Junto e misturado. Com a certeza de que o mundo é o lugar para se estar  e, ao mesmo tempo, com uma irresistível vontade de permanecer no ninho.

Acho que acordei com treze anos, sabe como?

Com essa inesquecível e inexplicável sensação de estar presa ao próprio corpo – uma limitação tão óbvia e tão cruel, que me impede de funcionar na velocidade do que penso, com a intensidade do que sinto.

Acordei sem paciência para esperar que a vida nasça, cresça e floresça.

Não me importa sujar as mãos na terra molhada e exagerar no ataque de frescura, se aparecer uma minhoca. Enfrento as minhocas. EU MESMA PLANTO. Mas ao terminar, fico parada do lado, olhando, esperando, reclamando que já passou um tempão (5 minutos) e a florzinha ainda não brotou.

Vou olhar o relógio e ter a sensação de que a única coisa que se move é o ponteiro dos segundos. E vou ter a certeza de que esse movimento não gera nenhum outro. Nem nos outros ponteiros, nem em mim.

Vou procurar atalhos que simplificam ao ponto de complicar tudo novamente. E vou me “jogar” neles, não por achar que são caminhos melhores, mas porque não aguento mais esse outro lugar onde tudo caminha a passos de formiga.

Vou acreditar na ilusão de ótica de que tudo se move quando eu me movo bem rápido. Vou acreditar que o que importa é ser veloz.

Não vou fazer nada por escolha, mas por ter a terrível (e falsa) sensação de que não tenho nenhuma outra opção.

Vou me estrepar bem e bastante.

E vou chorar quando ninguém entender que tudo isso era, de verdade, uma necessidade.

Vou ficar triste achando que ninguém me ama, mesmo não entendendo por que (afinal, eu não sou assim, tão sacana).

Vou protestar. Mais por uma necessidade de atenção do que por real convicção – e quem tem reais convicções aos treze anos?

Depois vou me contentar com as migalhas de amor e atenção que conseguir. Não só por conta da baixa auto-estima, mas porque não sei ser triste o tempo todo.

Vou querer ficar bonita, mas sentir preguiça de desembaraçar o cabelo.

Vou xingar quando me elogiarem (é que minha timidez se manifesta das maneiras mais insanas possíveis).

Vou me maquiar e morrer de vergonha quando notarem.

E vou chorar sempre que me sentir invisível.

Sempre…

Aos treze anos de qualquer idade.

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